Nr 3




Esta é a história de uma matrioska que nasceu de uma ramo de amendoeira. Sempre ouviu falar de outras matrioskas que viviam muito longe, em pequenas comunidades, onde todas eram iguais, excepto no tamanho e para se aquecerem do imenso frio do leste, viviam umas dentro das outras. Ela no entanto,  era diferente, tinha nascido de uma amêndoa e tornara-se na mais bonita amendoeira daqueles campos. Vivia num clima ameno, no meio de outras amendoeiras, alfarrobeiras, oliveiras, azinheiras e todos os dias, os seus amigos camaleões, pássaros e libelinhas, paravam para dois dedos de conversa. 
Só uma coisa a tornava triste: nunca tinha visto o mar! 
Sabia que ele estava perto, podia sentir-lhe o cheiro sempre que o vento soprava de sul e nas noites de sueste, consegui ouvir as suas ondas enroladas na areia. Pedira ao camaleão que a levasse a ver o mar, mas ele disse que não podia, pois se a carregasse às costas, ficaria cor-de-rosa e  muito envergonhado, sempre que o confundissem com uma menina. Os seus amigos passarinhos, mostraram-se disponíveis para a transportarem até à costa, falavam coisas lindas dos dias que lá iam apanhar algumas minhocas da ria, mas quando tentaram içá-la perceberam que não tinham força suficiente. 
A pequena matrioska andava muito triste e nem o sol, nem o saltitar dos grilos a animava. 
Até que um dia, numa tarde Outono ouviu uma grande algazarra, vinda de um trilho que passava mesmo perto de si. Quando se começaram a aproximar, uma menina seguida por sete homenzinhos muito pequeninos em fila indiana, cantavam em voz bem alta. Vendo uma amendoeira tão linda, os forasteiros pararam e após alguma conversa, a pequena matrioska percebeu que eles iam em direcção ao mar. 
"Podem levar-me com vocês? " , perguntou prontamente. Os homenzinhos alegraram-se com a ideia de terem mais uma companhia para a viagem e depressa reuniram todos os esforços para conseguirem concretizar o seu sonho. Não foi difícil arrancá-la da terra e colocá-la num lindo canteiro que eles mesmo construíram. Felizes carregaram o canteiro às costas e cantando, seguiram  em direcção ao litoral. Quando avistaram o rio Gilão a euforia foi total, sabiam que não estariam muito longe, pois no ar já se sentia a maresia. Ficaram deslumbrados com as casas coloridas que contrastavam com o branco da cal, com os barcos e com as pessoas, tão diferentes deles.
Foi nessa altura que os conheci e soube de toda a história. Passámos uma tarde muito divertida e quando foi a altura de partir rio abaixo em direcção ao mar, senti saudade, mas também a certeza, que quer onde eles estejam, juntos serão sempre felizes! 

(disseram-me que as correntes nesse dia estavam em direcção a Albufeira! :) )

Tecidos 100% algodão | Castanho liso: fabricado em Portugal; Estampados: tecidos americanos, japoneses e holandeses.
Rendas | fabrico português
Indisponível.

4 comentários:

Ju Padilha disse...

Estou apaixonada... tanto pela história, como pela nova criação!!! sempre bom enfrentar novos desafios, ainda mais quando estes são acompanhados de tanta sensibilidade!!!
um grande parabens, querida amiga do outro lado do atlântico!
beijinho!

Maria madeira | António rodrigues disse...

Ângela:

As tuas peças, produção fotográfica, textos, estão cada vez mais bonitos, continua o bom trabalho artístico, tens um enorme potencial!

Maria*

uva trincada disse...

linda!!!!

RochaMocha disse...

Estas novas criações estão fantásticas. Dá vontade de as ter a todas. :)